Bolsonaro troca ministro da Saúde e ameaça afrouxar combate ao coronavírus

Após uma série de desavenças públicas, o presidente Jair Bolsonaro demitiu o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, nesta quinta-feira (16). A iniciativa preocupa especialistas, que temem uma mudança na política de combate ao coronavírus e o afrouxamento do isolamento social no país.

No lugar de Mandetta, Bolsonaro escolheu o oncologista Nelson Teich, que é reconhecido em seu meio, mas não tem qualquer experiência em gestão no Sistema Único de Saúde (SUS).

No discurso em que foi apresentado, Teich disse existe um “alinhamento completo” entre ele, o presidente e todo grupo do Ministério da Saúde.

Desde o início da crise do coronavírus, Bolsonaro tem buscado reduzir a gravidade da doença. Em muitas oportunidades, se referiu à covid-19 como um resfriado, uma gripezinha.

O presidente também tem sido um defensor enfático do afrouxamento das regras de isolamento social.

Na contramão do mundo, Bolsonaro quer reabrir o comércio, o setor de serviços e fazer as pessoas voltarem às ruas. Trata-se de uma atitude profundamente irresponsável, já que todos os líderes mundiais que seguiram esse caminho viram os números de infectados e mortos pelo coronavírus crescerem absurdamente. Em virtude do ocorrido, esses líderes foram obrigados a recuar dessas medidas e tiveram de defender quarentenas rígidas.

No Brasil, já foram confirmados mais de 30 mil casos do novo coronavírus, mas especialistas dizem que estes números devem ser cerca de dez vezes maiores. Em relação ao número de mortes, foram contabilizadas 1.952 até a manhã desta sexta-feira (17).

Bode expiatório
O discurso irresponsável de Bolsonaro, que coloca em risco todo o país, serve a um claro propósito. Quando procura contrapor saúde e economia, o presidente busca, na verdade, uma “vacina” pelos fracassos de seu governo na área econômica.

Mesmo antes da chegada do vírus, o Brasil já estava com sua economia patinando, com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 1,1% em 2019, mesmo com a aprovação da reforma da Previdência, que atacou direitos históricos dos trabalhadores, aposentados e pensionistas, mas era vendida como uma espécie de “salvação da lavoura” para o país.

“Com esse discurso irresponsável, de que o confinamento ataca a economia, Bolsonaro quer esconder a sua própria incompetência diante do desemprego e a crise persistente na economia, que já eram fenômenos bem evidentes antes da vinda do novo coronavírus. Não podemos tolerar que ele continue brincando com a vida de milhões de brasileiros”, disse o presidente da Admap, Lauro da Silva.