Núcleo econômico de governo Bolsonaro quer maiores ataques à Previdência

O todo poderoso ministro da Economia do governo, Paulo Guedes, deve apresentar uma proposta de reforma da Previdência muito mais dura e com mais ataques do que a anunciada pelo presidente Bolsonaro (PSL) em entrevista ao SBT, na semana passada.

Na ocasião, Bolsonaro disse que pretendia aprovar a imposição de uma idade mínima para aposentadoria de 62 anos para homens e 57 anos para mulheres. As idades são inferiores à atual proposta, elaborada durante o governo Temer (MDB), que prevê 65 anos para homens e 62 anos para mulheres.

“É uma reforma bem mais profunda, é essa que vai para frente”, afirmou Guedes, apelidado de “Posto Ipiranga” por Bolsonaro durante a campanha eleitoral, por ser o indicado a falar sobre os rumos econômicos de seu governo.

Segundo informações veiculadas pela imprensa, a ideia do Palácio do Planalto é enviar ao Congresso uma proposta única (e não mais fatiada) de reforma com vários ataques, inclusive com a mudança do atual regime solidário para o de capitalização (em que o segurado contribui para uma conta individual, e o valor do benefício é calculado em cima dessas contribuições).

No sistema de capitalização, só o trabalhador contribui. O patrão, que hoje contribui com até 20% da folha de pagamento, não precisaria mais contribuir.

Enquanto os trabalhadores podem ter mais dificuldade para se aposentar, outros segmentos podem ser poupados das mudanças. Nesta terça-feira (8), o ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Santos Cruz, defendeu que os militares fiquem fora da reforma da Previdência.

Bolsonaro ainda vai bater o martelo sobre o desenho final do projeto, mas, o poder do “Posto Ipiranga” tem grandes chances de prevalecer.

“O governo Bolsonaro ainda discute a sua reforma da Previdência, mas, desde já, é preciso preparar a mobilização para defender o direito à aposentadoria. É preciso ir à luta”, disse o presidente da Admap, Lauro da Silva.