4º Congresso fortalece CSP-Conlutas para lutar contra ataques de Bolsonaro

O 4º Congresso Nacional da CSP-Conlutas, realizado de 3 a 6 de outubro, na cidade de Vinhedo (SP), terminou cumprindo o seu papel de debater a situação política no Brasil e no mundo, avaliar os caminhos trilhados pela central no último período e traçar um plano de luta contra as investidas promovidas pelo governo Jair Bolsonaro, os patrões e o Congresso Nacional.

A Comissão de Organização classificou o evento como vitorioso, com a participação de quase 2.300 pessoas durante quatro dias. Foram 1.591 delegados, 234 observadores, 59 convidados e 61 ativistas de outros países.

Para Paulo Barela, membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, o Congresso teve a “cara do povo pobre, negro, das periferias dos quilombos e aldeias indígenas”. Ele destacou o esforço coletivo pelo deslocamento e participação ao Congresso e defendeu o caráter do evento, que ocorreu “sob um governo de ultradireita, que prejudica os trabalhadores, o meio ambiente, mata povos indígenas e ataca as liberdades democráticas dos trabalhadores”.

A Admap (Associação Democrática dos Aposentados e Pensionistas do Vale do Paraíba), que é filiada à CSP-Conlutas, enviou uma delegação ao evento.

Discussões e resoluções aprovadas
Durante os quatro dias, o 4º Congresso Nacional da CSP-Conlutas foi marcado por amplas discussões, sempre conduzidas de forma democrática, em grupos de trabalho ou na plenária geral. Com falas de representantes de várias entidades, categorias e movimentos, as votações foram acaloradas, comprovando a diversidade de opiniões existentes dentro da central.

Temas como o papel cumprido pela CSP-Conlutas nas lutas ocorridas no último período, os efeitos da desregulamentação dos direitos trabalhistas no país e as propostas de plano de ação foram destaque na maioria das falas.

De acordo com as resoluções aprovadas, a “tarefa da nossa classe e de todas suas organizações é organizar a luta unificada, em defesa das nossas reivindicações, da soberania do país, do meio ambiente, das liberdades democráticas para derrotar o governo autoritário de Bolsonaro e seu projeto, já, nas ruas, nas mobilizações e greves”.

Ainda segundo o texto, “o caminho para derrotar Bolsonaro não é desmontando e segurando as lutas; aceitando negociar a retirada de direitos e privatizações no Congresso, compondo Frentes Amplas, eleitorais e de colaboração de classes com a burguesia para 2020 e 2022″. Para os trabalhadores e trabalhadoras presentes em Vinhedo, “unificar os setores em luta e as lutas é fundamental. A construção da Greve Geral segue sendo uma necessidade”.

Por fim, a resolução defende que a CSP-Conlutas deve atuar pela unificação das lutas em curso, manter o chamado à unidade de ação e à Frente Única da classe trabalhadora para lutar, bem como fazer o chamado e construir um Encontro Nacional dos Lutadores, unitário e pela base, que permita reunir aqueles que queiram lutar para enfrentar as ofensivas dos patrões e dos governos.

Reforma sindical e luta contra opressões
Na discussão sobre organização e estrutura sindical, os delegados aprovaram a resolução 33, que tem um dos principais pontos o repúdio à reforma sindical que o governo Bolsonaro tenta impor para destruir os sindicatos e a organização dos trabalhadores.

Sobre os temas relativos ao combate às opressões, decidiu-se que a luta da classe trabalhadora não pode desconsiderar a luta contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia, a xenofobia e todo tipo de opressão. Essas são lutas que devem ser feitas sob o recorte de classe e, mais do que isso, precisam ser feitas no dia a dia, dentro das instâncias da central, nos sindicatos e movimentos.

O Congresso também denunciou a destruição do meio ambiente sob o governo Bolsonaro, com discursos incisivos feitos por indígenas, quilombolas e membros de movimentos populares. Durante uma atividade, indígenas da tribo Cariri Quixelô, do Ceará, e Guarani, de São Paulo, apresentaram músicas e danças tradicionais. O rapper Igor e militantes do movimento negro subiram ao palco ao lado dos indígenas.

Com informações da CSP-Conlutas