Artigo: Dia do Idoso e a busca por uma vida digna

Lauro da Silva

Neste 1º de outubro, é preciso refletir sobre a situação dos idosos, nossos direitos suprimidos e os desafios impostos para conquistarmos uma vida digna.

Celebrado pela primeira vez em 1991, o Dia Internacional do Idoso foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para valorizar a contribuição dessa parcela da população ao mundo e também para chamar a atenção sobre questões que afetam as vidas das pessoas na terceira idade.

Em nosso país, infelizmente, estamos distantes de uma condição de vida minimamente adequada. Sem sombra de dúvidas, precisamos evoluir como sociedade, a fim de que possamos valorizar e, acima de tudo, retribuir tudo o que as gerações mais antigas fizeram pelo crescimento da nação.

Na esfera do poder público, temos muito o que cobrar, como o efetivo cumprimento do Estatuto do Idoso, muitas vezes negligenciado por governos e empresas prestadoras de serviços.

O acesso à saúde pública é outro gargalo. Com o país em crise e os constantes cortes nas áreas sociais, os idosos sofrem na pele com a precariedade dos serviços públicos. Asfixiado financeiramente pela Lei do Teto de Gastos, que congelou investimentos públicos por 20 anos, o Sistema Único de Saúde (SUS) deixa muito a desejar para a população mais velha. A situação não é muito melhor para quem consegue arcar com os caríssimos custos de um plano de saúde, que, na maioria dos casos, dificulta o acesso ao tratamento dos idosos. Este é o resultado da lógica da saúde ser utilizada como instrumento para obtenção de lucro.

Outra situação grave se refere à Previdência Social, alvo de duros ataques do governo Jair Bolsonaro e do Congresso Nacional com a tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que, na prática, vai impedir milhões de trabalhadores brasileiros de se aposentarem. Se aprovada no Senado, a proposta também vai reduzir em até 40% os valores das pensões por morte. Tudo isso vai ocasionar o aumento do empobrecimento da população idosa, que hoje já é obrigada a ajudar filhos e netos vitimados pelo desemprego. Por isso, cada voto a favor dessa reforma precisa ser amplamente denunciado. Não podemos nos esquecer dos parlamentares (deputados federais e senadores) inimigos dos idosos.

Para mudarmos essa situação, é preciso ir à luta. Mesmo desgastados pelo tempo e o acúmulo de batalhas que já enfrentamos na vida, não podemos abandonar a trincheira do bom combate. Necessitamos exercer a nossa cidadania e, sempre que possível, tomar as praças e ruas em defesa de uma vida digna. Queremos respeito e direitos! Vamos à luta!

Lauro da Silva é presidente da Admap