Casos mostram aumento da truculência da PM de João Dória

Casos de violência policial ocorridos nos últimos dias mostram o aumento da truculência da PM comandada pelo governador do Estado de São Paulo, João Dória (PSDB).

No domingo (14), os moradores do bairro de Vila Clara, zona sul de São Paulo, se revoltaram após a morte do adolescente Guilherme Silva Guedes, de apenas 15 anos. Morador conhecido do bairro, o jovem havia desaparecido no domingo (14). O corpo dele foi encontrado no dia seguinte, com sinais de tortura, no município vizinho de Diadema.

Dois policiais militares estão sendo investigados pela ação criminosa, que gerou revolta. Indignados com o ocorrido, moradores fecharam as vias do bairro e colocaram fogo em pneus. Manifestantes também queimaram um ônibus. Acionada para conter o protesto, a PM reprimiu de forma indiscriminada os moradores, agredindo inclusive quem não participava do ato.

Outros casos
No dia 13, um rapaz de 27 anos foi covardemente agredido por policiais, no bairro Jardim Felicidade, na Zona Norte de São Paulo. As imagens gravadas por testemunhas mostram o rapaz no chão, cercado por policiais ao lado de uma viatura. Um PM dá tapas e pancadas com o cassetete, enquanto os outros apenas observam, sem fazer nada para evitar o espancamento. Em um outro momento, os policiais arrastaram o rapaz por uma escada e continuaram batendo nele.

Se não bastassem as agressões brutais, os PMs ainda registraram a ocorrência como “resistência” e não citaram as agressões. No boletim, disseram que “durante um patrulhamento, o rapaz correu ao avistar a viatura policial”. Por suspeitarem, um dos PMs foi atrás dele e ao agarrá-lo, em um escadão, disseram que o rapaz se debateu para se desvencilhar. E por conta disso os dois caíram no chão”.

Na cidade de Barueri, na Grande São Paulo, houve mais cenas de violência contra um homem que foi abordado e revistado por policiais, no dia 12. Um dos PMs pulou nas costas dele e deu uma gravata, também numa cena flagrada por telefone celular. A covardia continuou com mais militares, que se aglomeraram em cima do homem já dominado. As pessoas que tentaram ajudá-lo também foram agredidas.

Truculência sem limites
Os policiais envolvidos nessas ações estão sendo investigados e alguns deles já foram detidos, mas a situação está longe de se resolver, como mostram os números divulgados pela própria gestão de Dória.

De acordo com os dados, publicados no Diário Oficial, o número de “mortes decorrentes de intervenção policial” envolvendo a PM subiu 54,6% em abril, já com a quarentena contra o coronavírus em vigor. Foram 116 casos contabilizados, ou seja, um a cada seis horas.

“Com o resultado de abril, o 1º quadrimestre do ano atingiu o maior número de mortes pela polícia desde o início da série histórica em 2001″, afirma a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, que pesquisa letalidade policial e faz levantamentos a partir dos indicadores oficiais de São Paulo.

O aumento das mortes oficiais pela PM foi registrado mesmo diante da redução drástica de crimes cometidos em período simultâneo, principalmente assaltos, que historicamente são usados como justificativa pelos governos.

Chega de violência e assassinato de pobres e negros pela PM. Desmilitarização das polícias, já!