Dados oficiais podem ‘esconder’ 60 mil mortes por covid no país

Perto de completar 200 mil mortes por conta do coronavírus, o Brasil pode “esconder” outros 60 mil óbitos por conta de subnotificação.

Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostram que 2020 registrou 258.209 óbitos por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que inclui a covid-19. Isso representa quase 253 mil mortes a mais que o previsto para o ano com base no que havia acontecido em 2018 (5.473) e 2019 (5.279).

No mesmo período em 2020, o Ministério da Saúde registrava 186.649 óbitos por covid-19. Os números ainda não representam a totalização do ano, mas garantem um retrato aproximado.

A diferença entre o “excesso” de óbitos por SRAG e a quantidade de mortes decorrentes do coronavírus é de 66 mil.

De acordo com Diego Xavier, pesquisador do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde da Fiocruz, “a maior parte desse número é potencialmente subnotificação de covid-19″.

Ele explica que os dados levantados pelo InfoGripe, da Fiocruz, atualizado em 22 de dezembro, serão cruzados com outras bases para entender o tamanho real dessa subnotificação. E que uma parte desse excesso é possivelmente causada por doenças que foram registradas como SRAG por terem características semelhantes.

Uma das hipóteses é que, no início da pandemia, profissionais de saúde ficaram mais sensíveis ao se depararem com determinados sintomas e preferiram adotar o diagnóstico de SRAG. Vale lembrar que, naquele momento, havia menos informação disponível sobre a covid-19. E a falta de testes e de equipes preparadas para analisar as coletas também dificultaram o diagnóstico.

Com os dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade, do SUS, será possível verificar se houve diminuição do número de óbitos por problemas cardíacos, pneumonia, tuberculose, influenza, entre outros, e, dessa forma, constatar quanto desse aumento de SRAG foi de outras doenças com diagnóstico equivocado e quanto é subnotificação de covid-19.